terça-feira, 3 de setembro de 2013

Duas ou três coisas (pra viver)

Textura,

caminho fosco.

Cometas,

previstos e inesperados.

Voz de cama.

Som gengibre, desinflama.

Já sem cabides,

busca as roupas, coberturas.

E permanece a lembrança, desnuda.

A textura.

O sal da saudade, arritmia. Febre.

O dia corre, separa.

Ferve a água na panela, café.

Uma caneca de tempo.

O teu leite, o meu amargo, mulher.

sábado, 27 de julho de 2013

Aos trancos e encantos

Acordar mais poema,
Flutuar sobre os empecilhos,
Cantar a despedida e gritar de alegria.
Nasce o inacreditável do absurdo.
As estradas põem as mãos sobre nossos corpos
E no instante seguinte ficamos presos,
Atados aos fios de liberdade.
Uma rotatória de desejos...
O novo, a prosa, o som e a camaradagem.
Passado barro, buraco, poeira,
a beleza do intocável,
os passarinhos, as frutas do mato, os rios.
As duas certezas: movimento e morte.

domingo, 21 de julho de 2013

Fome de sentimentos

Esse encantamento de vidas,
a partilha dos dilemas,
o degustar das saudades.
Me falou que certas pessoas
têm respectivas formas de conversar.
Desde de então ficou mais divertido
forma e conteúdo pra falar ou escutar.
Hoje-garoa,
pensamentos e poemas.
Gosto do dia e da noite,
do sol e das nuvens,
do inverno, primavera, outono e verão.
Mas só porque eu aprendi a passear,
a sobreviver das palavras.

sábado, 15 de junho de 2013

Pra saber

Fiz um desenho teu,
e não consegui mostrar.
Posto que tudo de mim é controvérsia,
segue como enfeite de minha alma.
Tracei seu rosto,
pus a lua ao lado dele, junto a minha insônia.
É pra matar a saudade,
aquela que ainda resta de ti.
A dita morta desdenha.
Sorrateira penetra os pensamentos.
E de um sopro de vento,
o danado do acaso me dá teu abraço...
É o tempo, e tudo de bom que sempre resta.
Pela fresta, pela fresta, pela festa...

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Histérica


Se um dia seus olhos me derem a honra
de pousar por aqui, vadiar ou seduzir
vão saber admirar a embriaguez do silêncio?
Tic, tac, pif, paf, e tudo escorre entre os dedos.
Assumo o trono da inveja,
rainha, prestes a ser decapitada.
É que fingindo assim dói menos,
doendo menos se vive mais,
em se vivendo mais o mundo tem mais chances,
tendo chances as vezes a gente quer mudar.
E a gente quer mudar, pra cada vez doer menos.
Nem sempre conseguimos.
Também somos os mesmos.
E que sorte compreender nossas próprias contradições.


quarta-feira, 12 de junho de 2013

Um poema para minha classe

Somos todos demitidos
Um oferecimento "Falta de perfil: há anos controlando  o medo"

E um dia eu acordei e escutei:
- Você não tem perfil.
Depois de dedicar meus talentos,
minha responsabilidade,
e mais de 70% dos meus pensamentos diários.
Após anos aperfeiçoando meu ofício,
diagnosticando falhas, apontando saídas.
Não fui encaixado e vou pro sacrifício.
Alguns "perfis" apoiam minha saída,
outros começam a se desencaixar,
e tantos outros evitam qualquer pensamento,
trata-se do império do medo de pensar.
Fui pro banco de reserva.
Aguardo uma chance.
Acredito menos em mim e nos outros.
Estou adoecendo.
Décima entrevista de emprego,
será que eu consigo?
Empregado, mau remunerado e agradecido.
Hoje sou finalmente um perfil,
calado, mas com as contas pagas.
É isso que importa. Não é?
Cumpro as metas, faço o que me pedem,
mas ao menos faço, ao menos pago, ao menos me vendo, parcelo.
Continuo adoecendo, mas tenho remédios.
Hoje eu acordei e escutei:
- O perfil que a empresa quer mudou...
Ensurdeci e resolvi gritar:

Tratem de inventar outra desculpa pra nos maltratar!

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Tom subversivo





Os balés dos pés, a dança das mãos
o passo com a cabeça, além do som.
Percebo ruídos no silêncio interior.
Entre a morte e a vida,
entre as pausas de não e sim.
Os detalhes, os incômodos, as jornadas.
O único lado possível é o meu.
Cá dentro mora tudo,
gente, canções, gostos e o lá fora que quero deixar...
Aquilo que escuto, o que não ouço,
O que rompe a barreira e teima em ficar.